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Ypê suspende ressarcimento e orienta manter produtos guardados

A Ypê suspendeu nesta sexta-feira (15) o ressarcimento aos consumidores afetados pela decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) envolvendo detergentes lava-louças líquidos, sabões líquidos para roupas e desinfetantes líquidos com lotes de final 1.

A decisão da empresa ocorre após reunião da diretoria colegiada da Anvisa, que manteve a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos atingidos pela Resolução 1.834/2026, mas retirou a obrigação de recolhimento imediato dos itens.

Com a mudança, a Anvisa determinou que a fabricante apresente antes um plano de gerenciamento para os produtos já distribuídos no mercado, incluindo orientações aos consumidores. Até que esse plano seja validado, permanece a recomendação para que os consumidores não utilizem os produtos suspensos e mantenham as embalagens lacradas ou bem fechadas, armazenadas em local seco e ventilado.

Antes da decisão desta sexta-feira, a Ypê havia disponibilizado em seu site um formulário para que consumidores solicitassem o ressarcimento dos produtos afetados. O canal exigia informações pessoais, dados do produto e a chave pix para devolução dos valores pagos.

Após a reunião da Anvisa, porém, a empresa retirou do ar o campo destinado ao envio da chave Pix e informou que pretende voltar a tratar do ressarcimento somente após a conclusão de novos testes técnicos.

Em nota divulgada no fim da tarde, a fabricante afirmou que, diante do novo posicionamento da agência reguladora, optou por suspender a proposta de devolução imediata dos valores e priorizar a validação técnica dos produtos por meio de análises complementares autorizadas pela própria Anvisa.

Segundo a empresa, os testes serão realizados por laboratórios independentes autorizados pela agência reguladora e devem abranger todos os lotes já colocados no mercado. O objetivo, conforme a fabricante, é garantir a segurança dos produtos e viabilizar a liberação para uso “o mais rápido possível”.

A Ypê também afirmou que, de acordo com seus controles e análises internas, os produtos da marca são seguros para os consumidores. Ainda assim, reconheceu a necessidade de cumprir as exigências da Anvisa e reforçou que trabalha em conjunto com a agência para corrigir as falhas apontadas.

A orientação atual é para que os consumidores mantenham os itens guardados até a divulgação dos resultados dos novos testes laboratoriais independentes.

A fabricante também listou produtos que, segundo ela, “nunca apresentaram qualquer risco de contaminação” e seguem liberados para venda e uso. Entre eles estão os lava-roupas em pó Tixan e Ypê Power Act, lava-louças para máquina, amaciantes, multiuso, água sanitária, alvejantes, cloro gel, sabões em barra, tira-manchas Tixan, limpadores perfumados, lã de aço Assolan, esponjas, saponáceo e lustra-móveis.

Além disso, a empresa informou que todos os produtos sem final 1 no lote continuam autorizados para comercialização e uso.

Na reunião desta sexta-feira, a Diretoria Colegiada da Anvisa manteve parte das restrições impostas à empresa. Na prática, segue válida a suspensão da fabricação, distribuição, comercialização e uso dos detergentes lava-louças líquidos, sabões líquidos para roupas e desinfetantes líquidos com lotes de numeração final 1.

A única medida flexibilizada foi o recolhimento imediato dos produtos, que ficará condicionado à apresentação e validação de um plano de gerenciamento pela fabricante.

Segundo a agência, o recurso apresentado pela empresa continuará tramitando normalmente. A Anvisa também informou que acompanhará as medidas corretivas adotadas pela fabricante e realizará uma nova inspeção em breve para verificar os avanços.

Em reuniões técnicas realizadas nesta semana, a empresa reconheceu falhas apontadas pela fiscalização da Anvisa e dos órgãos de vigilância sanitária de São Paulo. Conforme a agência, foram identificadas 76 irregularidades durante inspeção conjunta realizada na fábrica da empresa, incluindo problemas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.

O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, afirmou que há convergência entre o interesse público e o da empresa para corrigir as falhas identificadas e assegurar produtos dentro dos padrões de qualidade e segurança.

Desde a suspensão inicial, determinada em 7 de maio, a Ypê informou que manteve a linha de produção parada e iniciou ações de limpeza, readequação de processos, reforço do controle de qualidade e aquisição de equipamentos.

A Anvisa publicou no dia 7 de maio a proibição e o recolhimento de 23 produtos líquidos da Ypê. No dia seguinte, a medida foi temporariamente suspensa após a empresa apresentar recurso administrativo.

Pela legislação, a apresentação do recurso suspende automaticamente os efeitos da decisão da agência. No entanto, quando a Anvisa entende que há risco imediato à saúde, a Diretoria Colegiada pode retirar esse efeito suspensivo e restabelecer as restrições.

Na reunião desta sexta-feira, os diretores decidiram manter as proibições relacionadas ao uso e comercialização dos produtos, suspendendo apenas a obrigação de recolhimento imediato enquanto o plano de gerenciamento da fabricante é analisado.