Fila dupla na escola: a lição de cidadania que ignoramos

Nos horários de entrada e saída das escolas, principalmente nas particulares, o cenário se repete. Carros formam fila dupla ou tripla. Motoristas ocupam faixas inteiras de rolamento. Crianças desembarcam pelo lado do trânsito. Pais buzinam com impaciência. A razão, segundo o texto, é economizar dois minutos de caminhada ou garantir que o filho pare o mais perto possível do portão.
O que parece uma infração de trânsito comum ou uma "pequena esperteza" é descrito como uma aula prática de cidadania. A lição passada para as crianças, de acordo com a matéria, é que o conforto individual está acima das regras e do bem-estar coletivo. Ao desembarcar no meio da rua e ignorar a faixa de pedestres, o adulto transmite uma mensagem de exclusivismo. A criança cresce entendendo que é especial demais para andar um quarteirão e que as leis foram feitas para os outros.
O texto aponta que o resultado dessa "pedagogia do privilégio" aparece anos depois. A mesma criança, quando adulta, estaciona em vagas reservadas para idosos ou pessoas com deficiência. Para em vagas de amamentação "só por um minutinho". Fura filas, joga lixo pela janela do carro e reage com agressividade ao ser contrariada. A matéria afirma que este é o retrato de uma sociedade individualista e sem senso comunitário.
Os pais costumam cobrar das escolas uma educação de excelência com valores morais e cívicos. No entanto, a reflexão do autor é que a educação pelo exemplo começa no banco do motorista. O ato de estacionar mais longe, dar a mão ao filho e atravessar na faixa de pedestres tem um valor pedagógico. Ensina empatia, respeito às leis e paciência. Mostra que o mundo não gira em torno do próprio umbigo. A conclusão é que, para ter adultos conscientes no futuro, é preciso corrigir as atitudes no presente. O trânsito na porta da escola é visto como o espelho do tipo de ser humano que está sendo criado.


