Dívida de droga motiva execução em bar, diz Bope

A polícia suspeita que o assassinato de Jonatas Douglas da Silva Oliveira, de 22 anos, tenha sido motivado por cobrança de dívida de droga. O crime ocorreu na noite de sábado (27), em um bar de Coxim, a 253 quilômetros de Campo Grande. A informação foi dada na manhã desta segunda-feira (29) pelo comandante do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), coronel Rigoberto Rocha, durante coletiva de imprensa.
Segundo o coronel, os dois homens apontados como autores do crime eram de Pedro Gomes e foram até Coxim apenas para matar a vítima. Eles morreram horas depois em confronto com policiais do Bope, na rodovia entre Coxim e Rio Verde. A polícia apura se a execução foi ordenada ou financiada por uma terceira pessoa.
"A gente suspeita e está apurando que tenha ligação com cobrança de droga, cobrança desse meio do crime. Quando um elemento está devendo para outro criminoso, ele cobra dessa forma", afirmou Rigoberto Rocha.
Ainda conforme o comandante, os suspeitos passaram por Rio Verde, pegaram uma motocicleta e seguiram para Coxim, onde cometeram o crime. Depois da execução, teriam abandonado a moto e usado um Fiat Uno para tentar fugir. A polícia também trabalha com a hipótese de que alguém tenha mandado matar Jonatas. “Possivelmente, pode haver alguém financiando, alguém mandando. Então, a gente segue em diligência para tentar apurar mais alguma coisa”, disse o coronel.
As imagens de câmera mostram que os suspeitos chegaram ao bar por volta das 21h09. Jonatas estava sentado com uma criança no colo, aparentemente dormindo. Uma mulher estava em pé ao lado dele e um casal permanecia sentado próximo à vítima. O atirador se aproximou e fez os disparos. Mesmo ferido, Jonatas conseguiu se levantar e entregar a criança para a mulher que estava ao lado. Em seguida, caiu no chão. A criança não foi atingida.
Segundo o coronel, a cena chamou atenção pela agressividade dos criminosos. “Graças a Deus, a criança saiu ilesa. A mãe, não sei se é a mãe que está do lado ali, numa tentativa até de proteger a criança na hora dos tiros, também sai ilesa. Mas essa vítima vem a óbito”, afirmou. Depois do crime, as imagens mostram um homem desesperado repetindo: “Olha o que eu falei, olha o que eu falei, cara, meu Deus do céu”. A mulher que ficou com a criança voltou chorando e gritando “não”. Ela tentou se aproximar do corpo, mas foi contida.
No local, a polícia recolheu o celular de Jonatas e uma porção de maconha que estava no bolso dele. Testemunhas relataram que a vítima poderia ter ligação com a venda de drogas para uma facção, mas a informação ainda é investigada. Horas depois do assassinato, policiais do Bope, que atuavam na Operação Protetor de Divisas, montaram um bloqueio na rodovia entre Coxim e Rio Verde após receberem informações sobre a fuga dos suspeitos. Eles estavam em um Fiat Uno com as mesmas características do veículo usado depois da execução.
Segundo a polícia, durante a tentativa de abordagem, o motorista não parou. Os ocupantes desceram do carro e atiraram contra a equipe. Os policiais reagiram e atingiram os dois suspeitos, que foram socorridos ao Hospital Municipal de Rio Verde, mas não resistiram. Dentro do Fiat Uno, foram encontrados um capacete e roupas semelhantes às usadas no assassinato de Jonatas, além de duas munições calibre .38, uma munição calibre .22 e um celular Samsung azul. Com os suspeitos, a polícia apreendeu um revólver calibre .22 com uma munição deflagrada e um revólver calibre .32 com uma munição deflagrada, uma percutida e duas intactas.
A polícia ainda procura um terceiro envolvido no crime, identificado como Douglas da Silva Oliveira. As investigações continuam para esclarecer quem ordenou a execução e se há ligação direta com organização criminosa.


