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Avião alemão sobrevoa Pantanal para medir gases do efeito estufa

Por Notícias Goiás Portal · · 3 min de leitura
Avião alemão sobrevoa Pantanal para medir gases do efeito estufa
Aeronave HALO empregada na campanha científica CoMet 3.0 Tropics e equipe de cientistas e tripulação em Fortaleza (CE) (Foto: Dirceu Herdies)

Um avião-laboratório alemão iniciou, na última sexta-feira (31), uma série de sobrevoos sobre o Pantanal de Mato Grosso do Sul para medir as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄). A operação faz parte da campanha científica CoMet 3.0 Tropics, uma cooperação entre Brasil e Alemanha que também realizará medições na Amazônia e no Cerrado até meados de setembro.

Dados do site de rastreamento de voos FlightRadar24 mostram que a aeronave, um Gulfstream G550 de prefixo D-ADLR, operado pelo Centro Aeroespacial Alemão, realizou duas missões no espaço aéreo sul-mato-grossense na sexta-feira. Ambos os voos partiram de Cuiabá (MT), cidade que serve de base para a campanha. O primeiro voo decolou às 8h20 e durou 5 horas e 42 minutos. O segundo saiu às 18h16, com duração de 2 horas e 26 minutos. Os trajetos se concentraram sobre o Pantanal, na região de Corumbá, e no norte de Mato Grosso do Sul.

Objetivos da missão

A campanha reúne cerca de 120 pesquisadores de instituições brasileiras e alemãs. No Brasil, a coordenação é do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), sob liderança do pesquisador Dirceu Herdies. Pelo lado alemão, a coordenação é do cientista Andreas Fix, do DLR. O objetivo é obter medições inéditas dos fluxos e das concentrações de carbono e metano nos trópicos úmidos. As informações servirão para complementar sistemas de observação terrestre e por satélite, reduzir incertezas em modelos climáticos e calibrar instrumentos científicos.

Cada bioma estudado tem um foco específico. No Pantanal, as medições visam as emissões de metano das áreas alagadas. Na Amazônia, os estudos buscam entender o balanço de carbono da floresta. No Cerrado, a atenção está voltada para as emissões causadas por queimadas. "O avião vai voar sobre o Pantanal para verificar as emissões de metano das regiões alagadas. A Amazônia é extremamente importante para conhecermos o balanço de carbono. No Cerrado, nosso foco são as emissões das queimadas", explicou o professor do Instituto de Física da USP e pesquisador do ATTO, Luiz Machado.

Aeronave e equipamentos

A aeronave utilizada é o HALO (High Altitude and Long Range Research Aircraft), versão científica do jato executivo Gulfstream G550. O modelo opera em altitudes entre 850 metros e 15 mil metros, o que permite medições em diferentes camadas da atmosfera. Entre os equipamentos está um sistema Lidar (Light Detection and Ranging), que usa pulsos de laser para medir com precisão as concentrações de CO₂ e metano. A aeronave também leva instrumentos de sensoriamento remoto para identificar gases de efeito estufa e outros traçadores de massas de ar.

O avião chegou ao Brasil em 25 de julho, por Fortaleza (CE). Durante o deslocamento para Cuiabá, a equipe sobrevoou a represa da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, em Minaçu (GO). O local foi escolhido porque reservatórios com vegetação submersa são fontes naturais de emissão de metano, resultado da decomposição da matéria orgânica após o alagamento.

Cronograma

A campanha deve realizar aproximadamente 15 voos científicos até meados de setembro. Cada missão pode durar até 10 horas, em horários diurnos e noturnos, conforme os objetivos de cada etapa. Por questões de segurança e revezamento das tripulações, estão previstos até três voos por semana. As medições devem ampliar o conhecimento sobre o comportamento dos gases de efeito estufa nos três biomas e contribuir para estudos sobre mudanças climáticas no Brasil e na Alemanha.

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