O cantor sul-mato-grossense Silveira Soul realizou o pré-lançamento do álbum “Afroafetos” na noite desta sexta-feira (15), na Casa de Cultura. O projeto, com financiamento do FMIC (Fundo Municipal de Investimentos Culturais), é o primeiro álbum autoral do artista nascido em Corumbá.
O trabalho carrega um manifesto da arte preta, LGBTQIA+ e periférica de Mato Grosso do Sul. “Esse álbum foi gestado por muito tempo. São cinco anos de composição, estudo, referência na minha ancestralidade e na minha vivência. Conseguir lançar isso agora é um parto mesmo, porque foi muito difícil”, disse o cantor.
A estreia do álbum na Casa de Cultura também foi uma experiência sensorial e política. O evento reuniu referências do universo afro-brasileiro, com banhos energéticos oferecidos aos convidados, adesivos inspirados em religiões de matriz africana e uma atmosfera de celebração coletiva.
Com cinco músicas e duas poesias, o álbum mistura soul, black music, pagode baiano, R&B e MPB. Mesmo em um Estado dominado pelo sertanejo, Silveira vê sua trajetória como um ato de ousadia. “Eu faço uma música popular, mas diferente do comum aqui. É claro que existe barreira, mas eu acredito no meu público e na minha arte. Fazer isso aqui é, sim, resistência”, comentou.
O artista lembra que o projeto nasce como um coletivo multiartístico. “Hoje somos um coletivo AfroAfetos. A gente abraça nossa religião, nossa fé, nossa arte e nossas minorias. Isso é só o começo”, ressaltou. No palco, ele reforça a proposta de romper padrões. “Eu fujo desse estereótipo de que cantor só canta. Em África, arte é uma só. Dança, música, comida, corpo, moda, tudo é arte. É isso que quero colocar no palco”, finalizou.
A produção musical do álbum é de Ton Alves, que transformou composições feitas em voz e violão em uma obra com músicos locais e nacionais. “Estamos exportando um trabalho nacional. É regional na origem, mas tem potência para furar bolhas”, destacou. O álbum Afroafetos estará disponível nas plataformas digitais no próximo dia 21 de maio.
