Polícia silencia sobre execução de jovem em Dourados

A Polícia Civil mantém silêncio sobre as investigações do assassinato do jovem Vitor Orsini, de 19 anos, ocorrido há uma semana em Dourados, a 251 km de Campo Grande. O crime teve grande repercussão na maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul, principalmente pela crueldade do matador, que atirou na cabeça do jovem, pelas costas, em frente à loja de revenda de veículos pertencente ao pai da vítima.
O caso está em sigilo e a única manifestação oficial da instituição até agora foi através de nota da assessoria de comunicação, divulgada quarta-feira (12), para informar sobre as prisões do pistoleiro Denis Barbosa de Melo, de 22 anos, e de um adolescente de 17 anos, que ajudou no plano criminoso.
Nesta quinta-feira (13), Denis de Melo e o adolescente passaram por audiência de custódia no Fórum de Dourados. O procedimento também é mantido em sigilo, mas a reportagem apurou que o Poder Judiciário decretou a prisão preventiva do pistoleiro e a internação do adolescente na Unei (Unidade Educacional de Internação). A decisão já era esperada, pois os dois confessaram participação no crime.
O piloto da moto que levou Denis até a garagem e deu fuga ao pistoleiro após o crime segue foragido. O homem aparece nas imagens usando camiseta azul, montado na Honda Biz em frente à loja. No momento em que o matador executava Vitor, o piloto não esboçou qualquer reação e agiu como se nada estivesse acontecendo.
A Polícia Civil também não revelou qualquer detalhe sobre quem seria o mandante do assassinato e a motivação para o crime. Vitor Orsini não possuía qualquer antecedente criminal, era estudante e trabalhava na loja do pai. Boatos indicam que ele poderia ter sido morto por engano, mas essa hipótese circula apenas “de boca em boca” na cidade.
A execução
Por volta de 14h12 de sexta-feira (7), Vitor Orsini mexia no celular, encostado em um Renault Sandero exposto na calçada da loja. Ao lado dele (de camiseta amarela) estava o gerente do estabelecimento. O pai de Vitor e dono da loja havia deixado o local segundos antes, em uma caminhonete prata. As imagens foram gravadas pelas câmeras de monitoramento do local.
As câmeras também captaram a dupla chegando de moto e parando em frente à garagem. De capacete, Denis Barbosa de Melo desceu da moto e seguiu pela calçada. Ele passou a poucos metros de Vitor e do pai, que deixavam o interior do estabelecimento.
O pistoleiro entrou na loja e, segundo o boletim de ocorrência, pediu para usar o banheiro. Assim que o comerciante saiu com a caminhonete, ele caminhou em direção a Vitor e o gerente, sacou a pistola 9 milímetros da cintura e atirou na cabeça do jovem, pelas costas. Quando caiu, Vitor foi atingido com mais 2 tiros. Denis chegou a apontar a arma para o gerente, mas não atirou. Depois, correu até a moto e fugiu na garupa.
A Honda Biz, que tinha sido furtada na madrugada daquele dia na região leste da cidade, foi abandonada pela dupla em uma área de mata ao lado de uma estação de tratamento de esgoto, no Jardim Canaã VI, região sul.
A reportagem apurou que Denis teria contratado um carro por aplicativo e seguiu até o distrito de Nova Itamarati, em Ponta Porã, onde foi preso na terça-feira (11). Não há informações sobre o destino do piloto da moto. O adolescente de 17 anos, preso em Dourados, teria dado apoio ao plano criminoso, mas a polícia ainda não detalhou qual foi a participação dele no assassinato.
Denis Barbosa de Melo é natural de Brasília (DF), onde, segundo a polícia, possui antecedentes criminais desde quando era adolescente. Ele estava na região há alguns meses, mas não está claro se veio para Dourados por outro motivo ou exclusivamente para executar o jovem.
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