Entre 2014 e 2026, dados da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mostram que 58,8% das notificações de incidentes em saúde em Mato Grosso do Sul estão ligadas a clínicas de diálise. Foram 3.670 reclamações de um total de 6.241 registros no período.
O aumento mais expressivo ocorreu entre 2024 e 2026. Em 2023, foram 358 ocorrências. No ano passado, o número subiu para 1.686, um salto de 370,9%, ou 4,7 vezes mais. Neste ano, já são 456 notificações, número superior ao de três anos atrás. Entre 2025 e 2026, as clínicas de hemodiálise representam quase 80% de todas as notificações.
Recentemente, a clínica DaVita, localizada na Rua Treze de Maio, no bairro São Francisco, em Campo Grande, passou a ser investigada pela Vigilância Sanitária Estadual. Pacientes relataram más condições de atendimento e passaram mal após a filtragem do sangue. Em junho do ano passado, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) abriu apuração sigilosa contra outro estabelecimento.
Segundo o painel de indicadores da Anvisa, a maioria dos pacientes afetados tem entre 46 e 75 anos, com danos considerados leves. Os erros mais comuns são falhas na hemodiálise e eventos adversos após o serviço. Os problemas incluem desde equipamentos, como limpeza e uso da água, até queda de pressão ou outras alterações clínicas nos pacientes.
Nos relatos, também há falhas na colocação do cateter e no atendimento prestado. A identificação dos danos foi feita, na maioria dos casos, por alterações no estado dos pacientes ou por alertas das máquinas de hemodiálise. Em mais de 2 mil casos, o profissional de saúde identificou e notificou o erro.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde e aguarda retorno.
