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IHP pede cautela e mais estudos para dragagem na Hidrovia do Paraguai

Por Notícias Goiás Portal · · 2 min de leitura
IHP pede cautela e mais estudos para dragagem na Hidrovia do Paraguai
IHP pede cautela e mais estudos para dragagem na Hidrovia do Paraguai

O presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Ângelo Rabelo, defendeu que a ampliação da dragagem na Hidrovia do Paraguai seja precedida por estudos técnicos mais aprofundados. A declaração foi feita durante o seminário "Horizontes da Economia Azul", promovido pelo Comando do 6º Distrito Naval da Marinha, no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, nesta sexta-feira (10).

Rabelo afirmou que a dragagem de manutenção é necessária para garantir a navegabilidade, mas que intervenções para o aprofundamento do canal exigem critérios mais rigorosos. Segundo ele, é preciso evitar impactos sobre o regime de inundações do Pantanal, que já enfrenta uma crise hídrica. "A dragagem de aprofundamento precisa ser analisada de maneira muito cuidadosa, porque pode haver uma relação de causa e efeito com o regime de inundações", disse.

O presidente do IHP comentou as discussões da audiência pública sobre a concessão da hidrovia, em Corumbá, e afirmou que ainda faltam estudos para mensurar os possíveis impactos da dragagem. Ele alertou que o processo não pode ser feito de forma abrupta. "Se isso acontecer, seremos contra", afirmou.

Rabelo ressaltou que é usuário da hidrovia e reconhece sua importância para a economia regional, mas defendeu que a manutenção da navegabilidade caminhe ao lado da conservação ambiental. Ele lembrou que o rio Paraguai integra uma bacia internacional e que qualquer decisão sobre sua gestão precisa envolver os países vizinhos, como o Paraguai.

O ambientalista também chamou atenção para a necessidade de investimentos permanentes na manutenção da hidrovia. Segundo ele, nos últimos 30 anos, houve pouca intervenção para preservar a navegabilidade, o que já causa restrições ao turismo e aumento de acidentes com embarcações atingindo bancos de areia. Rabelo alertou ainda para a redução do espelho d'água no Pantanal e a perda de cobertura vegetal nas nascentes do rio Paraguai.

Marinha defende construção conjunta de soluções

Durante o seminário, o comandante do 6º Distrito Naval, contra-almirante Emerson Augusto Serafim, destacou que a discussão sobre a Hidrovia Paraguai-Paraná deve envolver todos os segmentos ligados ao corredor logístico. Ele defendeu a participação integrada do setor público, da iniciativa privada, da academia, de ambientalistas, do turismo e dos profissionais da navegação.

"O rio Paraguai-Paraná não pode ser discutido apenas por um ou dois atores. Pela multidisciplinaridade das atividades que acontecem ao longo da hidrovia, é fundamental que toda a sociedade esteja envolvida", afirmou Serafim. O comandante lembrou que o seminário ocorre em um momento simbólico para a Marinha do Brasil, que em fevereiro de 2027 completará 200 anos de presença no Centro-Oeste.

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