Corretores viram influenciadores e faturam alto com vídeos de imóveis
Profissionais usam redes sociais para vender apartamentos com storytelling e conquistam comissões maiores no Rio de Janeiro
Corretores de imóveis do Rio de Janeiro transformaram anúncios tradicionais em conteúdo de entretenimento nas redes sociais e viram as vendas dispararem. Com vídeos que misturam humor, curiosidades e apresentação pessoal do imóvel, profissionais como Rodrigo Barbosa, Gabriel Rodrigues e Lya Torres acumulam entre 40 mil e quase 110 mil seguidores no Instagram, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo em 30 de agosto de 2026.
O formato aposta em construir uma narrativa em torno da casa ou do apartamento, indo além da ficha técnica com metragem e número de quartos. Detalhes como a vista da janela, o desenho de uma escada ou o piso original do imóvel passam a ser o centro do vídeo, criando identificação com quem assiste.
Fundador do perfil Morabilidade, Rodrigo Barbosa relatou ao jornal que passou a aparecer nos vídeos em 2024 por sugestão de uma amiga e viu o resultado surpreender já na primeira gravação. Segundo ele, uma venda recente foi concluída em apenas 20 horas após a publicação do vídeo, e no ano anterior a imobiliária bateu 60% da meta anual de vendas em menos de uma semana.
Quem ganha com o novo formato de anúncio
O corretor Gabriel Rodrigues, seguido por 42 mil pessoas em seu perfil pessoal e também ativo no perfil da imobiliária Okre, contou ao O Globo que vende cerca de dez apartamentos por mês nos bairros do Leblon e de Ipanema. Segundo ele, comissões mais altas permitiram mudanças concretas na própria vida, incluindo tirar a mãe da comunidade da Rocinha.
Rodrigues, no entanto, faz uma ressalva importante para quem pensa em seguir o mesmo caminho: um vídeo viralizar não significa necessariamente vender mais. Segundo o corretor, o volume de mensagens de curiosos pode até exigir contratação de assistente, sem que isso se traduza em negócios fechados.
Outro caso citado pela reportagem é o de Lya Torres, que deixou a área de Educação Física há dois anos para se tornar corretora justamente por perceber o potencial das redes sociais na profissão. Com 40 mil seguidores, ela afirma ter vendido 30 imóveis em seis meses, mas alerta que a experiência como cliente também mostrou a importância de escolher corretores preparados, já que já teve visita marcada com profissional que compareceu embriagado.
Como o mercado do Rio influencia esse crescimento
O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro (Creci-RJ), João Eduardo Correa, atribui parte do aquecimento do setor à retomada da cidade como destino turístico internacional. Reformas em apartamentos que originalmente seriam usados para aluguel de curta duração, mas passaram a ser vendidos após prédios proibirem esse tipo de locação, também ajudaram a movimentar o mercado.
Segundo Correa, a combinação entre imóveis reformados, atrativos turísticos e eventos culturais da cidade cria desejo imediato de compra. Ele reforça ainda que as redes sociais já são o principal canal de contato entre corretor e cliente, mas defende que o engajamento nas plataformas precisa vir acompanhado de conhecimento técnico real e da exibição do número de registro no Creci nas publicações.
A consultora de comunicação Elis Monteiro avalia, na mesma reportagem, que o fenômeno não é exclusivo do setor imobiliário: qualquer profissão que use bem uma câmera consegue se reinventar diante do público. No caso dos imóveis, a aposta em contar histórias de moradores e famílias que deixam o local, em vez de apenas listar características técnicas, tem sido o principal diferencial dos perfis que crescem mais rápido.
O que muda para quem procura ou vende imóvel
Para quem está em Goiânia e no interior de Goiás pensando em comprar, vender ou alugar, a tendência mostra um caminho prático: antes de fechar visita presencial, vale procurar se o corretor ou a imobiliária tem perfil ativo em redes sociais com vídeos do próprio imóvel, e não apenas fotos estáticas. Isso ajuda a entender melhor o espaço e economiza tempo de deslocamento até imóveis que não atendem à expectativa.
Quem pensa em vender um apartamento ou casa também pode observar se o corretor contratado mostra domínio técnico nas publicações e exibe o número de registro no Creci, prática recomendada pelo próprio conselho da categoria no Rio de Janeiro. A reportagem não traz dados específicos sobre o mercado imobiliário goiano nem sobre uso desse formato de vídeo por corretores locais, então essa comparação direta ainda não foi confirmada. O que fica claro é que a combinação entre boa apresentação em vídeo e conhecimento real do imóvel tende a pesar cada vez mais na decisão de quem compra, more onde morar.


