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Soldado e ex-PM presos com haxixe alegam que pensavam ser celulares

Por Notícias Goiás Portal · · 3 min de leitura
Soldado e ex-PM presos com haxixe alegam que pensavam ser celulares
Militares do Exército durante vistoria a um caminhão na operação Jaguaretê (Foto: Ilustrativa | Divulgação)

O estudante de medicina e ex-policial militar William de Jesus Costa, de 30 anos, e o policial militar Max Deive de Lima Junges, de 29 anos, afirmaram à Polícia Civil que não sabiam da presença de drogas no veículo em que foram flagrados. A apreensão ocorreu durante uma fiscalização do Exército na BR-463, em Ponta Porã, a 313 quilômetros de Campo Grande.

Os dois foram presos em flagrante na operação Jaguaretê. Com eles, foram encontrados R$ 30 mil em espécie, divididos em 600 notas de R$ 50. Em depoimento, a dupla disse que acreditava estar transportando apenas celulares contrabandeados de Ponta Porã para Dourados.

Segundo William, a oportunidade surgiu após um contato em festas universitárias com um ex-PM identificado como "Rafael", também estudante de medicina. Ele afirmou que aceitou a proposta de fazer o frete de aparelhos celulares por R$ 100,00 por unidade, pois estava endividado. William então convidou Max Deive para participar do transporte. A estimativa era de cerca de 200 aparelhos, mas a quantidade exata e o valor final não foram formalizados.

"A combinação era seguir em direção a Dourados até a Churrascaria Querência, onde deixariam o veículo no estacionamento com a chave no interior e entrariam para tomar café da manhã; após cerca de meia hora, retornariam para Ponta Porã", descreveu William.

Max confirmou a versão ao delegado Lucas Calixto Sampaio, na 1ª Delegacia de Ponta Porã. Ambos negaram ter tentado subornar os militares do Exército ou ofendido os agentes durante a abordagem. Max disse que apenas apresentou a identidade funcional quando solicitado, que as fardas estavam em uma mochila no banco traseiro e que William ficou nervoso e discutiu com um dos militares, que ficou "exaltado".

Os dois reiteraram que não sentiram odor estranho no veículo e que dirigiam acreditando transportar apenas aparelhos eletrônicos. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

Conforme apurou a reportagem, William tem passagens por crimes militares, violência doméstica, dano no contexto de violência contra a mulher, ameaça e perseguição. Max tem uma passagem por crime contra a administração militar. Ambos constam como na ativa da Polícia Militar no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul.

Abordagem

Segundo o boletim de ocorrência, por volta das 7h, William deixou seu veículo, um Toyota Corolla preto, no bairro Primavera por cerca de 15 minutos. Depois, buscou o carro e passou na casa de Max para iniciar o trajeto. Na BR-463, a dupla foi abordada pelo Exército no Posto Fiscal Pacuri. O veículo foi liberado após verificação documental, mas os militares pediram a parada poucos metros adiante.

Questionado sobre o conteúdo do porta-malas, William disse acreditar que eram celulares. O porta-malas tinha um defeito na trava, o que exigiu esforço para abrir. No interior, foram encontradas mochilas e sacos com 194 quilos de haxixe e um envelope com dinheiro. Ambos foram presos em flagrante por tráfico de drogas.

Os militares afirmaram que os suspeitos insistiram para não serem presos, alegando "não haver necessidade" e sugerindo "conversar e se acertar ali mesmo".

Operação

Iniciada em 1º de julho, a operação Jaguaretê é coordenada pelo Comando Militar do Oeste (CMO) em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. A fiscalização ocorre na faixa de fronteira para combater tráfico de drogas, contrabando, descaminho e crimes ambientais. As ações incluem patrulhamento terrestre e fluvial, postos de bloqueio e controle, fiscalização de pessoas, veículos e embarcações, além de coordenação e compartilhamento de informações entre os órgãos participantes.

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