Mato Grosso do Sul foi citado na novela “Quem Ama Cuida”, da TV Globo, como rota de fuga para o Paraguai. A cena foi ao ar no capítulo de quarta-feira (10) e chamou a atenção dos telespectadores sul-mato-grossenses.
A responsável pela menção foi a vilã Pilar, interpretada pela atriz Isabel Teixeira. Convencida de que a mocinha Adriana, personagem de Letícia Colin, tenta escapar das investigações sobre a morte do milionário Arthur, vivido por Antônio Fagundes, ela decide apresentar a teoria a um delegado.
Antes da conversa, Pilar analisa um mapa e chega a uma conclusão. “Interessante. Indo de São Paulo pra Botucatu, dá pra ir pro Paraguai via Mato Grosso do Sul. Acabou pra você, Adriana”, afirma a personagem.
A cena dura poucos segundos, mas bastou para despertar a atenção nas redes sociais. O Estado surgiu no papel que costuma ocupar em reportagens policiais e produções sobre o crime organizado: corredor de passagem para países vizinhos.
Na sequência, Pilar reforça sua suspeita ao conversar com o delegado. “Acontece, delegado, que a cidade é só passagem. O plano é sair do país indo para o Paraguai via Mato Grosso do Sul”, afirma.
O policial da trama tenta relativizar a acusação. “A senhora há de convir que ninguém pensa em fugir da lei indo para Botucatu”, responde. Mas a vilã insiste: “Se não é isso, por que todos os parentes estariam indo de malas? Malas carregadas, é para passar muito tempo. É fuga.”
Enquanto a personagem construía sua teoria conspiratória, a internet se divertia com a inesperada participação sul-mato-grossense na novela. “Mato Grosso do Sul mentioned obrigado”, publicou um perfil no X (antigo Twitter). “Que lindo eles falando Mato Grosso DO SUL ao invés de falar apenas Mato Grosso”, escreveu outra telespectadora.
Também houve quem transformasse a geografia da novela em piada. “Claro que dá para fugir de São Paulo para Mato Grosso do Sul. Aliás, dá para ir para a África de Botucatu”, brincou um internauta.
A teoria criada por Pilar pode soar exagerada para os padrões de uma novela das nove, mas não surgiu do nada. Mato Grosso do Sul possui mais de 1,5 mil quilômetros de fronteira seca com Paraguai e Bolívia.
Ao longo das últimas décadas, a região apareceu repetidamente em investigações envolvendo traficantes, contrabandistas e foragidos que tentaram deixar o Brasil. Gerson Palermo, apontado como integrante da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital), conseguiu deixar o país depois de obter prisão domiciliar. Ele foi localizado recentemente na Bolívia e voltou às manchetes ao ser repatriado em maio.
Antônio Joaquim Mota, conhecido como “Motinha” e apontado como um dos principais traficantes da região de fronteira, escapou de uma operação ao deixar o local de helicóptero pouco antes da chegada dos agentes.
No mesmo período houve a fuga de Paulo Cupertino Matias, condenado pelo assassinato do ator Rafael Miguel e dos pais dele em 2019. Durante o período em que permaneceu foragido, Cupertino passou por cidades do interior sul-mato-grossense, obteve documentos falsos e chegou a cruzar a fronteira de Ponta Porã para Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Ele só foi capturado mais tarde em São Paulo (SP).
