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Nagasaki alerta: risco nuclear persiste 81 anos após ataque

Por Notícias Goiás Portal · · 2 min de leitura

O prefeito de Nagasaki, Shiro Suzuki, fez um alerta neste domingo (9) sobre o risco crescente de uma nova guerra nuclear. A declaração ocorreu durante a cerimônia que marca os 81 anos do bombardeio atômico da cidade pelos Estados Unidos, que matou cerca de 74 mil pessoas até o fim de 1945.

Na Declaração de Paz, Suzuki afirmou que as armas nucleares são um "mal absoluto" e que jamais poderão coexistir com a humanidade. Ele classificou o conceito de dissuasão nuclear como "extremamente perigoso e frágil" durante o evento no Parque da Paz.

A cerimônia acontece em um momento de aumento das tensões geopolíticas, com os conflitos no Oriente Médio e a invasão da Ucrânia pela Rússia. Suzuki manifestou preocupação com a imprevisibilidade desses conflitos, que envolvem potências nucleares. Ele também destacou que ainda existem mais de 12 mil ogivas nucleares no mundo.

Durante o evento, que reuniu cerca de 3.700 pessoas e representantes de 98 países, foi observado um minuto de silêncio às 11h02, horário exato em que a bomba de plutônio "Fat Man" explodiu sobre a cidade. O embaixador dos Estados Unidos no Japão, George Glass, não participou da cerimônia. O país foi representado pelo vice-chefe da missão diplomática, Aaron Snipe.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou que o país mantém os três princípios não nucleares: não produzir, não possuir e não permitir a introdução de armas nucleares em seu território. Ela disse que o Japão promoverá esforços "realistas e práticos" para alcançar um mundo livre dessas armas.

Suzuki também criticou a ausência de um documento final na conferência de revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), realizada em maio. Segundo ele, a modernização dos arsenais nucleares alimenta um ciclo de desconfiança mútua e confronto. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para o aumento da retórica nuclear e o risco de erros de cálculo e escalada de conflitos.

O prefeito pediu que o governo japonês participe da conferência de revisão do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, prevista para novembro. Takaichi, no entanto, disse que é necessário considerar o que é eficaz para garantir a segurança do país e avançar no desarmamento nuclear.

Nas primeiras horas da manhã, sobreviventes e moradores se reuniram no parque para orações. Toyomi Okada, sobrevivente de 87 anos, contou que tinha 6 anos quando a bomba explodiu a cerca de 4,2 quilômetros de sua casa. Ela disse que a explosão destruiu todos os prédios entre sua casa e o parque.

A idade média dos sobreviventes oficialmente reconhecidos dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki já ultrapassa 86 anos. Suzuki afirmou que é um momento crítico para ouvir diretamente as vozes dos hibakusha e transmitir as memórias da tragédia às gerações futuras.

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