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MPF exige detalhamento de agrotóxicos na conta de água em Dourados

Por Notícias Goiás Portal · · 2 min de leitura
MPF exige detalhamento de agrotóxicos na conta de água em Dourados
Região da ponte sobre o Rio Dourados (Foto: Flávio Retratista Agência ALEMS)

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou que a Sanesul, empresa de saneamento de Mato Grosso do Sul, amplie as informações sobre a qualidade da água distribuída em Dourados. A decisão foi tomada após o monitoramento da Embrapa Agropecuária Oeste apontar a presença recorrente de resíduos de agrotóxicos no Rio Dourados.

Segundo o MPF, as faturas mensais e os relatórios anuais devem apresentar, de forma mais clara, os resultados das análises, os riscos associados ao manancial e as medidas para garantir a potabilidade da água. A recomendação foi expedida depois que o órgão identificou inconsistências nas informações divulgadas pela concessionária.

As faturas de água já informavam que a bacia do Rio Dourados está em uma região com atividades agrícolas e pecuárias que podem causar contaminação. No entanto, o mesmo texto afirmava que "não há riscos evidentes de sofrerem contaminações". Para o MPF, essa informação é contraditória diante dos resultados do monitoramento.

Os dados que embasam a recomendação são do Painel de Monitoramento de Resíduos de Agrotóxicos em Águas Superficiais de Mato Grosso do Sul, da Embrapa. O levantamento mostra que o herbicida atrazina foi detectado em 84,44% das amostras coletadas no Rio Dourados. Até 24 de abril de 2026, das 630 amostras analisadas, 532 tiveram resultado positivo para a substância.

O painel também revela aumento na diversidade de pesticidas encontrados no manancial. Em 2019, foram identificados 20 princípios ativos diferentes. Esse número subiu para 43 em 2025 e, nos primeiros quatro meses de 2026, já haviam sido detectados 38 tipos distintos de agrotóxicos.

Outro ponto citado pelo MPF é a reclassificação da atrazina e do alaclor pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc). Desde novembro de 2025, os dois herbicidas passaram a integrar o Grupo 2A, de substâncias consideradas provavelmente carcinogênicas para humanos.

O histórico de monitoramento mostra oscilações nas concentrações de atrazina no Rio Dourados. O maior pico foi em 28 de março de 2024, com concentração de 0,933 μg/L. Nos anos anteriores, os maiores valores foram de 0,130 μg/L (2020), 0,188 μg/L (2021), 0,254 μg/L (2022), 0,666 μg/L (2023) e 0,207 μg/L (2025). Em 2026, até o período analisado, o maior registro foi de 0,456 μg/L.

A recomendação dá prazo de 30 dias para a Sanesul adequar as informações aos consumidores. As medidas incluem a inclusão, nas contas de água, de um resumo dos resultados das análises e alertas sobre riscos à saúde. O MPF também pede a correção imediata da informação que nega riscos de contaminação.

As mudanças devem alcançar o relatório anual sobre a qualidade da água. O documento deverá descrever as condições da bacia hidrográfica, as fontes de contaminação, o número de amostras coletadas, os resultados para os agrotóxicos monitorados e os Valores Máximos Permitidos (VMP) do Ministério da Saúde. Sempre que um parâmetro ultrapassar os padrões, a informação deverá ser destacada.

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