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Médicos rejeitam consulta psiquiátrica de 20 minutos

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS) enviou um pedido à Prefeitura de Campo Grande para suspender as mudanças propostas pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) que aumentam o número de atendimentos em saúde mental na rede municipal. A medida, segundo a categoria, reduziria a duração média de cada consulta para 20 minutos, o que os profissionais consideram inviável.

A proposta da prefeitura prevê ampliar para 18 os atendimentos psiquiátricos em plantões de seis horas. O sindicato afirma que foi contra a medida. Durante a reunião, foi proposta uma alternativa de 12 consultas por plantão, além da possibilidade de dois encaixes. A categoria aguarda retorno do município.

O presidente do Sinmed-MS, Marcelo Santana, afirmou que houve reunião com representantes da prefeitura para discutir o tema e apresentar a posição contrária da categoria. Após assembleia com médicos da área na noite de segunda-feira (11), os profissionais rejeitaram as duas alterações. O sindicato decidiu pedir a suspensão das mudanças por 30 dias para abrir negociação.

Segundo o sindicato, os atendimentos na área de saúde mental atualmente seguem metas quali-quantitativas definidas por lei municipal. A categoria alega que o novo modelo praticamente dobraria o volume de consultas exigidas dos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Os médicos que seriam impactados pela medida atuam em serviços da rede municipal voltados à saúde mental e trabalham em equipes coordenadas por psiquiatras, seguindo diretrizes nacionais.

“A saúde mental é uma especialidade extremamente grave, que foi negligenciada ao longo do tempo e que precisa evoluir muito, porque depois que a tragédia acontece, com o aumento do número de desfechos fatais com pacientes, a gente perdeu tempo de conseguir mudar alguma coisa. É um assunto muito delicado que não pode ser tratado apenas como números pelo gestor, tem que ser tratado de uma forma séria e de conhecimento técnico”, afirmou Marcelo Santana.

A prefeitura informou em nota que não houve mudança nos atendimentos e que, após o diálogo com o sindicato, será mantida a agenda conforme já vinha sendo realizada nas unidades. A nota diz que a medida visa garantir a organização dos fluxos assistenciais, a conformidade administrativa, a segurança jurídica dos profissionais e a eficiência da gestão pública, assegurando que os atendimentos nos Centros de Atendimento Psicossociais (Caps) e no Ambulatório de Saúde Mental ocorram dentro dos marcos legais e assistenciais estabelecidos.