Dois escritores que ajudam a contar Mato Grosso do Sul por caminhos diferentes agora passam a integrar oficialmente a ASL (Academia Sul-Mato-Grossense de Letras). O cronista e romancista André Alvez e o escritor Brígido Ibanhes foram eleitos nesta quarta-feira (10) para ocupar, respectivamente, as cadeiras 28 e 13 da instituição.
Os dois receberam o maior número de votos em uma disputa que também contou com as candidaturas de Isaac Ramos, Vilma Carli, Ewerton Carvalho e Janet Zimmermann. André Alvez sucede o acadêmico Augusto César Proença, falecido em 2023, enquanto Brígido Ibanhes ocupará a cadeira que pertenceu a Antônio João Hugo Rodrigues, também morto em 2023. A posse solene deve acontecer nos próximos meses.
A eleição foi realizada na sede da Academia, em Campo Grande, e contou com a participação dos atuais membros da instituição. Para o presidente da ASL, Henrique Alberto de Medeiros Filho, os dois novos acadêmicos representam muito mais do que nomes da literatura. “Ambos trazem relevância não apenas como escritores, mas como pessoas que fazem parte do contexto cultural de Mato Grosso do Sul”, afirmou. Secretário-geral da Academia, Rubenio Marcelo, destacou que a escolha “dignifica a história da Casa de Ulysses e a preservação e desenvolvimento da língua, das letras e da cultura no Estado”.
André Alvez nasceu e foi criado em Campo Grande. Formado em Publicidade, pós-graduado em Literatura Brasileira e também roteirista, ele se tornou um dos nomes mais ativos da nova geração de escritores sul-mato-grossenses. Durante mais de uma década, escreveu crônicas no jornal Correio do Estado e atualmente assina a coluna semanal “Beba das Crônicas”, no Campo Grande News. Também presidiu a União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS) entre 2017 e 2018. Sua produção literária inclui sete livros publicados, entre eles A Bruxa da Sapolândia, O Santo de Cicatriz, Todo Bicho Alado Sente Medo do Vento e, mais recentemente, Flores Azuis Não Vão Para o Céu. Além da literatura, André também atua no audiovisual e já participou de oficinas com cineastas como Anna Muylaert e José Eduardo Belmonte.
Natural de Bela Vista, Brígido Ibanhes transformou a fronteira entre Brasil e Paraguai em uma das principais matérias-primas de sua obra. Escritor, pesquisador e ativista cultural, ele construiu uma trajetória marcada pelo estudo da memória regional, dos mitos populares e das relações entre as culturas brasileira, paraguaia e guarani. Sua escrita mistura jornalismo investigativo, pesquisa histórica e ficção, sempre com forte presença do regionalismo fronteiriço sul-mato-grossense. Autor de 11 livros, tem entre suas principais obras Silvino Jacques: O Último dos Bandoleiros, Che Ru (Chirú): O Pequeno Brasiguaio e Che Retã. Seus trabalhos são frequentemente utilizados em pesquisas acadêmicas sobre a literatura de fronteira e a cultura de Mato Grosso do Sul. Além dos livros, Brígido ajudou a construir instituições culturais do Estado. Foi membro-fundador e primeiro presidente da Academia Douradense de Letras, participou do Conselho Municipal de Cultura de Dourados e atuou em projetos ligados aos direitos humanos e à valorização da literatura.
Fundada há 54 anos, a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras possui 40 cadeiras vitalícias, seguindo o modelo da Academia Brasileira de Letras. Criada inicialmente como Academia de Letras e História de Campo Grande, a instituição adotou o nome atual após a criação do Estado de Mato Grosso do Sul. A ASL reúne escritores, pesquisadores e intelectuais que contribuíram para a formação da cultura regional e atua na preservação da língua portuguesa, da literatura e da memória cultural sul-mato-grossense. Com a eleição de André Alvez e Brígido Ibanhes, a Academia passa a incorporar duas trajetórias diferentes, mas que têm um ponto em comum: a dedicação em contar, preservar e valorizar as histórias de Mato Grosso do Sul.
